Jennifer Lawrence fala sobre novos filmes e novo relacionamento em edição de setembro da Vogue

Sejam bem-vindos ao Jennifer Lawrence Brasil, sua fonte brasileira sobre a atriz. Jennifer é mais conhecida por seu papel como Katniss Everdeen na franquia Jogos Vorazes e por filmes do diretor David O. Russell, incluindo O Lado Bom da Vida, que lhe rendeu o Oscar. Aqui você encontra vídeos legendados, fotos e notícias diárias sobre a atriz. Espero que gostem!

Destaques

09
agosto
2017
Jennifer Lawrence fala sobre novos filmes e novo relacionamento em edição de setembro da Vogue

Eis um milagre: Jennifer Lawrence sentada, quieta.

É uma noite quente em Los Angeles, e Jennifer e eu estamos ao lado de uma fogueira no quintal de uma casa de estilo mediterrâneo nas colinas, onde o ar cheira a flores, dinheiro e carbono insignificante queimado de forma bem pensada por carros elétricos. O caos de Hollywood fica a poucos quilômetros de distância.

Essa não é a verdadeira casa de Jennifer. É alugada. O lar de verdade de Jennifer “quebrou” enquanto ela estava ausente – uma história louca envolvendo cristais e… Bem, deixa Jennifer contar:

“Quando eu entrei pela primeira vez, a casa tinha cristais por todos os lados e geodes”, explica. “E eu fiquei tipo, ‘Por favor, se livre disse; Eu não quero que as pessoas venham aqui e pensem que eu sou uma pessoa de cristal’. Não que haja algo de errado com isso”.

“Mas todos me disseram: ‘Você não pode fazer isso. Você não pode movê-los. Você tem que falar com a mulher do cristal que os deixa em movimento…’ Você já imagina o que aconteceu. Jennifer não chamou a mulher do cristal. “Eu simplesmente tirei todos os cristais. Vendi-os. E então a p#rra da minha casa inundou”.

“Eu odeio cristais”, disse Jennifer.

Não há cristais na casa alugada. Não há muita evidência de que Jennifer está morando aqui, além de uma pintura a óleo de sua cadela, Pippi, sobre a lareira. Eu trouxe uísque: uma garrafa de Old Grand-Dad, um aceno às raízes de Jennifer, em Kentucky. Havia passado das 17h e estávamos tomando um, porque… Você não tomaria?

“Isso é delicioso”, disse Jennifer, puxando um cobertor sobre seu suéter e calças Zimmermann de boca larga.

E esta bebida custa apenas US$ 19,99, eu digo a ela.

“Uau”, diz ela, impressionada. “Eu não deveria estar desperdiçando isso com você. Vou guardar para uma companhia”.

Alguns dias antes, Jennifer visitou o aclamado pintor americano John Currin. “Bem inacreditável”, disse ela. “Ele tirou fotos de mim, e me colocou como uma dessas garotas francesas. Na verdade eu acho que Pipi poderia ser uma delas”.

Ela vai pegar o trabalho de Currin finalizado? “Como abordo isso?”, pergunta. “Quem gostaria disso?”

Jennifer ri. Ela quase nunca faz isso: fica sentada, olhando o fogo, fazendo nada. Aos 26 anos, Jennifer já é uma das atrizes mais bem sucedidas e exaltadas do planeta. Ela foi indicada ao Oscar quatro vezes e venceu uma vez o prêmio de Melhor Atriz, por O Lado Bom da Vida. Ela simultaneamente participou da franquia Jogos Vorazes enquanto participou de outra, de X-Men. Em março de 2018 ela será vista no triller de ação Red Sparrow, que fez com seu amigo Francis Lawrence (não é parente), diretor de três filmes da franquia Jogos Vorazes. No filme, Jennifer é uma bailarina recrutada em uma agência russa de espionagem que se apaixona por um agente da CIA, interpretado por Joel Edgerton. Antes disso, em setembro, ela estrela o misterioso mãe!, um tour de fource de Darren Aronofsky, cineasta e namorado de Jennifer desde o ano passado.

É uma jornada incrível, inovadora em sua força criativa e financeira, mas Jennifer chegou lá trabalhando quase sem parar durante sua adolescência e 20 e poucos anos. “Ela é um pouco como um tubarão nesse sentido. Ela precisa seguir se movimentando para se manter viva”, disse Francis Lawrence. “Há uma parte de mim que não consegue imaginar Jen sem trabalhar, ou sem estar trabalhando durante muito tempo”. Jennifer mesmo disse que esse é o seu metabolismo, que ela não consegue suportar a ideia de “acordar sem nada para fazer ou ir dormir sem ter realizado nada”. Recentemente, no entanto, ela surgiu com a ideia de que um pouco de descanso pode ser bom.

Você disse em entrevistas antigas que você não gosta de tempo livre.

“Sim, isso foi ridículo”, disse ela. “Eu estava louca. Isso é ótimo”.

Até agora, você provavelmente já leu centenas de matérias falando sobre como Jennifer Lawrence é simplesmente como o resto de nós, como ela é exatamente o tipo de caso de Hollywood pé no chão que gosta de ficar relaxando na frente do fogo e compartilhando um uísque barato. Isso é verdade. Durante nossa alegre conversa, que variou entre a gafe do Oscar entre Moonlight/La La Land (“Todos lidaram graciosamente, mas p#rra”), sobre se vale a pena ou não tomar ayahuasca (Ela acha que não: “Não tive o chamado”), a famosa adoração de Jennifer sobre reality shows (“Você pode olhar a vida de qualquer pessoa e dizer: ‘Bem, obviamente você não deveria se casar com aquele cara’ e isso faz você se sentir como Deus durante 30 minutos”). Por isso é fácil você se esquecer de que está ao lado de alguém que é tratada como realeza da indústria do cinema – uma descrição que certamente fará Jennifer colocar o dedo na boca e simular um gesto de vômito.

“Acho que ela não tem a capacidade de ser alguém além de si mesma”, disse Justine Ciarrocchi, melhor amiga de Jennifer e uma de suas colegas de quarto em sua época de apartamento compartilhado. “Você não pode dar errado sendo você mesma, seja isso tão brega quanto parece”.

A normalidade de Jennifer é uma de suas assinaturas, tanto que a cantora Ariana Grande imitou a atriz em um quadro do Saturday Night Live (“Eles me falaram para não participar de um programa de jogos, mas eu falei isso, ‘Que se dane, eu posso me divertir, sou uma pessoa normal'”, imitou Ariana). Lawrence elogiou Ariana por “ir no ponto”, mesmo que ela saiba que nunca se descreveu como uma “pessoa normal”.

“Isso é o que outras pessoas falam”, disse Jennifer. “Se eu falei, ‘Eu sou uma pessoa normal’, eu quero me matar”.

Franca ainda é uma palavra justa para descrever Jennifer, e é uma experiência maravilhosa. Confie em mim: há atores que ficam paralisados por pedir almoço na frente de um entrevistador, por medo de dizer a coisa errada. Essa ansiedade não existe em Jennifer. Isso não quer dizer que ela não se preocupa com uma má interpretação ou com o tipo de coisas que ela pode dizer se beber outra garrafa de Old Grand-Dad, mas ela pode ser deliciosamente admirável e verdadeira. “Ela não tem nenhum filtro e vai dizer em voz alta o que lhe vem na cabeça”, disse Michelle Pfeiffer, colega de elenco de Jennifer em “mãe!”, que a define como “inteligência perversa”.

“Eu gosto de como Jen é clara”, disse Emma Stone, amiga da atriz, que na verdade estava na casa de Jennifer na noite anterior. “Ela deixa suas opiniões muito, muito claras para mim, o tempo todo – se eu pedir ou não”, ri Emma. “Eu aprecio essa qualidade. Ela é simplesmente divertida, um tiro de luz”.

Isso diz muito sobre a cultura de Hollywood (ou toda a cultura nos dias de hoje), que o que é necessário para que alguém seja considerado “real” seja um hábito de ser honesta. Mas, se for perguntada, Jennifer dará uma resposta respeitável e direta sobre seu filme Passageiros, ficção científica de 2016, que foi um sucesso de bilheteria, mas fracasso entre a crítica. Ela está orgulhosa do filme, mas concorda com aqueles que sugeriram que o filme teria se beneficiado com uma reedição e começando com sua personagem acordando. “Estou desapontada comigo mesma que não percebi”, diz ela. “Eu pensei que o roteiro era lindo – era uma história de amor infectada e complicada. Definitivamente não foi um fracasso. Eu não estou envergonhada de forma alguma. Havia apenas coisas que eu queria ter examinado mais profundamente antes de embarcar no projeto”.

Depois, há uma reação forte de Jennifer sobre seu único percalço como celebridade (se você pode chamar isso de percalço), quando ela foi gravada em vídeo num pole dancing durante uma festa de aniversário em Viena, na Áustria.

Eu gostaria de poder transmitir o vídeo mostrando Jennifer de corpo inteiro falando sobre o assunto semanas depois. Não a culpo.

“O meu maior medo disso tudo era que as pessoas pensassem que eu estava tentando ser sexy”, disse ela. “Além disso, pareceu que eu tinha tirado minha camisa. Eu estava usando um crop top. Eu não tirei minha camisa. Eu estava no telefone com meus advogados, e todos falaram tipo: ‘Existe alguma coisa que nós precisamos saber antes de sair?’ E eu dizia tipo, ‘Não, está tudo ali'”.

Jennifer escreve um post hilário no Facebook sobre a “controvérsia”. “Não vou me desculpar, eu tive MUITA diversão aquela noite”, mas o episódio ainda a chateava. Ela já suportou a terrível experiência de ter fotos íntimas vazadas, um assunto que ela falou com força, mas a abalou.

“É assustador quando você sente que o mundo inteiro está te julgando”, disse ela. “Eu acho que as pessoas viram [o hackeamento] da forma que era, que é um crime sexual, mas esse sentimento, eu não consegui me livrar dele. Ter sua privacidade violada constantemente não é um problema se você é perfeita. Mas se você é humana, é assustador. Quando minha publicista telefona para mim, eu fico tipo, ‘Oh meu Deus, o que foi?’ Mesmo quando não é nada. Eu sempre estou esperando ser atacada novamente”.

Estamos num mundo de Instagram de insta-julgamento, claro. Jennifer tenta regular quanto pode – por exemplo, ela parou de tentar aplacar cada pedido de selfie. “Eu fico feliz em conhecer pessoas, dar autógrafos, dar as mãos e dizer ‘Obrigada'”, conta ela. “Eu não teria trabalho se as pessoas não fossem assistir aos meus filmes. É que… se eu estou no avião e estou sem maquiagem, eu não quero tirar uma selfie que vai acabar saindo no E!”.

A amada Pippi se aproxima de onde estamos sentados, o que a deixa nervosa, pois sua cadela é menor do que uma torradeira, e aqui nas colinas existem todos os tipos de predadores que podem desfrutar de um delicioso sanduíche Pippi.

“Coiotes, cachorros maiores, cascavéis, grandes corvos”, diz Jennifer. “A cada 20 minutos eu tenho um ataque cardíaco. Vou ser uma ótima mãe”.

A próxima vez que eu vejo Jennifer, ela está no Brooklyn, onde ela concordou em sentar comigo para mais conversa: especificamente para uma visita a um spa de tanques de privação sensorial chamado Lift. Aqui está a ideia básica: você entra numa sala (sozinha), sem nada, entra num belo tanque branco que parece um iPod de última geração e fecha a tampa. Você flutua sozinha, na escuridão, durante uma hora, apenas você e seus pensamentos e, se você quiser, com uma música de fundo. É bem alucinante.

Também pode ser completamente o momento errado para fazer isso, porque Jennifer acabou de assistir mãe!

O que devemos dizer sobre mãe!? O que podemos dizer? Jennifer escolhe suas palavras cuidadosamente, como eu. Existe um código obsessivo de segredo sobre o filme, que eu concordei em honrar. Gostaria de lhe dar algumas informações básicas: que mãe! é, digamos, sobre cavalos marinhos do espaço que assumem a Casa Branca, mas não posso falar. (Ok: não é sobre cavalos marinhos do espaço que assumem a Casa Branca)

A primeira pista para o público sobre o que se esconde em mãe! foi um pôster lindo e sangrento, pintado pelo artista James Jean. Jennifer aparece levantando o seu coração sangrento, tirado de seu peito rasgado.

Espera, o quê? Isso apenas levantou mais perguntas.

“Os temas são simplesmente gigantes”, disse Jennifer. “Eles são…” Ela pausa. “Eu não posso usar a palavra que gostaria de usar, mas o filme é único”.

Vou dizer isso: mãe! é um filme perturbador e de várias camadas em que Jennifer tem uma performance devastadoramente bonita, que é igual em vulnerabilidade e raiva e diferente de tudo que ela já fez. O filme ficou na minha cabeça durante dias após eu assistir e eu quero – preciso – vê-lo novamente. Eu acho que vai ser o filme que as pessoas discutem por meses, se não por anos.

Eu também não consigo acreditar que levei Jennifer a um tanque de privação sensorial após ela assistir. Esse não é o lugar que você quer estar após assistir esse filme.

É isso que Darren Aronofsky faz, é claro. O celebrado diretor (Pi, Réquiem Para Um Sonho, Cisne Negro), nativo de Brooklyn, 48 anos, nunca teve medo de desafiar o público. “Eu acho que mãe! funciona como um filme de relacionamento verdadeiro e realista… mas também funciona no plano alegórico”, disse o diretor, de fala suave, numa sala de edição no início do verão. No momento, apenas um punhado de pessoas assistiram ao filme, e Aronofsky é cauteloso em dizer algo revelador. “Diferentes pessoas vão ver de maneiras diferentes, e sempre sou inspirado por filmes que você lembra e ainda discute alguns dias depois”, disse ele.

Depois de escrever o roteiro – num intervalo de cinco dias, diz ele – Aronofsky ficou animado em ter Jennifer no elenco, considerando sua agenda agitada e o fato de mãe! começaria com três meses de ensaios em um armazém no Brooklyn com seu elenco primário, que além de Jennifer, conta com Pfeiffer, Javier Bardem e Ed Harris.

“Conseguir esse tipo de compromisso de um ator é difícil”, diz Aronofsky. “Conseguir isso dos maiores atores do mundo é muito, muito difícil. Foi um luxo incrível ter tanto tempo”.

Jennifer admite que não era uma pessoa de ensaiar antes de mãe!, mas afirma que o processo a fez ficar mais “em sintonia” com a personagem. Aronofsky descreve o processo de Jennifer durante os ensaios como quase discreto. “Ela está com um mecanismo muito zen e pacífico” – e diz que ela não desencadeou seu arsenal completo de atuação até as câmeras começarem a rolar. “Ela tem um talento muito cru e natural”, diz Aronofsky, com um toque de admiração. “Eu sempre a comparo com Michael Jordan”

“Ela é uma atriz muito corajosa, sem fronteiras e que não precisa se ferir para criar dor”, diz Javier Bardem. O ator adiciona que Jennifer tem “a força de um touro. Ela está realmente empenhada em ir tão longe quanto necessário”.

“Eu odeio falar sobre atuação, porque é difícil falar sobre isso sem soar como uma idiota”, disse Jennifer de uma maneira bem-Jennifer. Mas ela diz que houve momentos em mãe! que eram diferentes de qualquer coisa que ela já experienciou como atriz. “Eu tive que ir a um lugar sombrio que nunca estive em minha vida… Eu não sabia se conseguiria sair disso bem”.

Um momento de filmagem ficou tão intenso, diz Jennifer, que ela hiperventilou e deslocou uma costela. “Eu acabei pegando oxigênio”, disse ela. “Eu tinha tubos de oxigênio no nariz e Darren disse, ‘Isso ficou fora de foco, temos que fazer de novo’. E eu disse tipo, ‘Vai se f#der'”.

Querendo proteger o bem-estar de Jennifer em meio a essa escuridão, alguns membros da equipe de mãe! fizeram uma “barraca Kardashian” para a atriz fora do set, um refúgio onde ela poderia se afastar do trabalho e relaxar com suas amigas de reality shows. “Era uma tenda com fotos das Kardashians e com Keeping Up with the Kardashians sendo transmitido em looping – e chicletes”, conta Jennifer. “Meu lugar feliz”. (“Eu não estava envolvido nisso”, conta Aronofsky. “Eu fiquei tipo, ‘Do que você está falando, das Kardashians?'”)

Não muito tempo depois do filme terminar de ser gravado, começaram os rumores de que Jennifer e Darren estavam namorando. Jennifer diz que eles começaram a sair após as gravações terminarem.

“Nós tínhamos energia”, conta Jennifer, depois acrescenta: “Eu tinha energia por ele. Não sei como ele se sentiu sobre mim”.

Nós terminamos nossa hora em tanques de privação sensorial e fomos tomar café na rua. Jennifer diz que a experiência no tanque foi principalmente positiva até o final, quando percebeu que não encontrada a abertura do tanque e teve um breve momento de pânico até localizá-la e conseguir sair. “Desorientador”, disse ela. “Mas, tirando isso, foi um momento adorável”.

A verdade é que ela não consegue parar de pensar em mãe!. Ela sentou com Aronofsky e assistiu ao filme há algumas horas. Ela se acostumou com a escuridão do filme, mas foi tomada pela beleza que encontrou. “Quando vi o filme, lembrei-me de novo de como ele é brilhante”, disse ela sobre Aronofsky. “Durante o último ano, eu tenho convivido com ele como ser humano”. Jennifer elogia Darren como um “pai incrível” (o diretor tem um filho de seu relacionamento com Rachel Weisz) e por sua extrema disposição. “Eu estive em relacionamentos antes em que eu estava simplesmente confusa. E eu nunca estou confusa com ele”.

Jennifer e Darren parecem opostos de certa forma, e há a diferença de idade, mas a parceria parece estar funcionando. “Normalmente, não gosto das pessoas de Harvard, porque elas não conseguem ficar dois minutos sem mencionar que foram a Harvard”, diz ela. “Mas Darren não é assim”.

A obsessão de Jennifer com reality shows, no entanto, continua causando um impasse com Aronofsky. “Ele simplesmente acha extremamente decepcionante”, diz ela, rindo.

Nos últimos anos, Jennifer encontrou-se em frente da crescente discussão sobre a desigualdade salarial de gênero no cinema e nos locais de trabalho em geral. Seu próprio despertar aconteceu, estranhamente, por causa de um hackeamento: a infiltração em e-mails da Sony, em 2014, revelou que o salário de Jennifer em Trapaça havia sido menor que a de seus colegas de elenco homens. Em vez de ficar em silêncio, ela escolheu falar publicamente sobre o assunto, em ensaio engraçado e forte para a “Lenny Letter”, de Lena Dunham e Jenni Konner, em que ela lamenta receber “menos” do que… “as sortudas pessoas com pênis” e critica a ideia de que mulheres deveriam ser educadas durante a negociação, para que não fossem chamadas de “difíceis”.

“Eu estou cansada de encontrar a maneira ‘adorável’ de declarar minha opinião e ainda ser simpática”, escreveu Jennifer na ocasião. “F#da-se isso. Eu não acho que já trabalhei com um homem que passou algum tempo refletindo a forma que queria que sua voz fosse ouvida. Ele é simplesmente ouvido”.

O que fez com que a carta aberta de Jennifer virasse viral não foi apenas sua autenticidade (era, palavra por palavra, puro Jennifer Lawrence), mas o fato da crítica vir de alguém presumivelmente do poder: Jennifer foi uma das atrizes mais bem sucedidas e mais bem pagas durante alguns anos. Em 2015 e 2016, Forbes colocou-a no topo da lista de atrizes mais bem pagas, graças em grande parte a Jogos Vorazes e X-Men. Se ela ainda era vulnerável de tirarem vantagem, que outra atriz também não seria?

“A minha coisa sobre falar sobre pagamento igualitário não é… Eu me uso como exemplo, mas não é disso que eu estou falando, é claro”, explica Jennifer. “Eu não estou falando sobre atrizes que ganham milhões a menos que seus colegas atores”. Em vez disso, ela diz que viu no momento uma oportunidade para abordar a diferença salarial existente entre homens e mulheres em quase qualquer ambiente de trabalho. Se os críticos gritaram “Cale a boca e aja!”, então que seja.

“Minha opinião é: Você pode ter milhões de dólares e uma carreira dos sonhos, mas se você não está disposto a defender o que você acredita, ou se você erra e não fala sobre isso, então você não tem nada”, diz Jennifer.

“É o oposto de ‘Cale a boca e aja!’. Se você tem uma voz, use-a. Eu não quero ir para o túmulo apenas pensando tipo, ‘Bom, eu introduzi ao mundo os filmes Jogos Vorazes e comprei uma casa em Coldwater! Boa noite!’ Para mim, vale a pena a crítica. Quanto mais críticas eu obtenho, mais a conversa está acontecendo”.

Enquanto isso, em meio a esses tempos políticos rancorosos, Jennifer tornou-se membro da organização chamada Represent.Us, que procura passar leis anticorrupção no governo local, estadual e nacional. Há vozes conservadoras e liberais na organização, o que agrada Jennifer. “Se você é republicano, se você é liberal, não importa”, diz ela. O objetivo é “tirar dinheiro e corrupção dos políticos” e “libertar nossa democracia”.

Jennifer não é fã da administração atual de Donald Trump, mas “é necessário ser uma ponte”, diz ela. “Não podemos continuar com essa divisão e raiva. Há problemas que nos afetam como seres humanos, não como liberais e não como republicanos. Temos que proteger as bases desse país e a aceitação. Se você está pregando a aceitação, aceite imigrantes, aceite muçulmanos, aceite todos”.

Em breve, Jenifer começa a gravar um novo filme X-Men, o quarto em sua carreira. (Ela brinca sobre o que é estar em filmes com efeitos especiais. “Quando faço um filme X-Men, eu não tenho ideia do que está acontecendo”, confessa. “E então assisto ao filme e tipo tipo, ‘Uau! Legal!'”).

Ela viajou durante o verão para Paris para os desfiles de alta costura e uma sessão de fotos para a Dior, grife que ela ama, mas num ambiente que ainda é surreal para ela. Jennifer está entusiasmada com a entrega da grife para Maria Grazia Chiuri, ex-chefe da Valentino e atual diretora artística da Dior. “O novo material tem sido realmente incrível, cool e jovem”, diz. “Ela é incrível”. (Há também um episódio de junho, quando avião em que Jennifer voava teve falha de motor dupla e foi forçado a fazer pouso de emergência – ninguém se feriu, mas o incidente é compreensivelmente assustador).

Depois de X-Men, Jennifer provavelmente vai trabalhar em alguns projetos impressionantes. Entre os filmes que ela está vinculada, há um de Steven Spielberg sobre a fotógrafa de guerra Lynsey Addario, a quem Jennifer já passou algum tempo acompanhando, e um sobre Zelda Fitzgerald, dirigido por Ron Howard. Há também um de Adam McKay sobre a polêmica empresa do Silicon Valley de Elizabeth Holmes, fundadora do Theranos, que foi desmascarada por repórter do Wall Street Journal. Jennifer irá interpretar Elizabeth Holmes. E ela foi recentemente fotografada almoçando com Quentin Tarantino, que está supostamente trabalhando em roteiro dos os assassinatos cometidos pela família Manson.

Oh, e há ainda o filme ainda sem nome de Jennifer Lawrence e Amy Schumer. A internet pirou há alguns anos quando Jennifer virou amiga de Amy após assistir Descompensada e as duas foram fotografadas em jet ski juntas e contaram que estavam trabalhando num roteiro.

“Estamos nos encontrando com diretores”, conta Jennifer. Ela descreve a história como de “gêmeas disfuncionais. Mas é triste. E então engraçado”.

“Ela é a pessoa mais engraçada que já conheci”, diz Jennifer sobre Amy Schumer. “Ela também é uma atriz de drama incrível, que eu quero levar para o filme”.

“Jen é engraçada como uma história em quadrinhos”, escreveu Amy Schumer em e-mail. “Ela entende o ritmo de uma piada e como interpretar tanto a pessoa séria como a idiota. Ela tem um dos sensos de humor mais sombrios que já vi e isso é delicioso. Meu único problema com ela é que ela está gorda”.

Para Hollywood, o projeto Lawrence/Schumer seria uma combinação dos sonhos – e uma lembrança de que, por tudo que Jennifer Lawrence conquistou até agora, tão rapidamente, ainda existem muitos outros lugares para conquistar. Jennifer brinca que após sua próxima onda de filmes ela precisará de algum tempo de folga. (“O público americano – o público internacional – vai precisar de férias de mim… até os alienígenas estão irritados”), mas é óbvio que ela adora o que faz. Um uísque em frente a uma lareira é bom, mas vamos falar a real. Não dá para ficar sentado tanto tempo.

 
Tema por Gabriela Gomes Copyright © 2016 Jennifer Lawrence Brasil. All Right Reserved