Jennifer Lawrence, estrela sem roteiro – Matéria completa da Vanity Fair

Sejam bem-vindos ao Jennifer Lawrence Brasil, sua fonte brasileira sobre a atriz. Jennifer é mais conhecida por seu papel como Katniss Everdeen na franquia Jogos Vorazes e por filmes do diretor David O. Russell, incluindo O Lado Bom da Vida, que lhe rendeu o Oscar. Aqui você encontra vídeos legendados, fotos e notícias diárias sobre a atriz. Espero que gostem!

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22
novembro
2016
Jennifer Lawrence, estrela sem roteiro – Matéria completa da Vanity Fair

Em apenas seis anos, Jennifer Lawrence passou por todas as marcas do estrelato de Hollywood, sem nenhum sinal de desaceleração. Seu filme de ficção científica Passageiros será seguido por filmes com Steven Spielberg, Adam McKay e Darren Aronofsky. Em circunstâncias irreais, Jennifer está aprendendo a se afirmar como uma pessoa real, seja lá se isso signifique salário igual, privacidade, ou nunca ser uma madrinha de casamento de novo.

O bar do Plaza Athénée, um elegante hotel no Upper East Side, está vazio, exceto por um casal de idosos franceses bebendo Bordeaux às duas da tarde, quando uma loira alta cheia de energia aparece. É Jennifer Lawrence, vestindo um suéter de cashmere preto, jeans rasgado no joelho e botas pretas, com seu cabelo platinado. Ela usa delicadas joias de ouro em seus pulsos, pescoço e dedos, e o seu acessório mais evidente, uma equipe de segurança, fica nas proximidades.

Ela pede chá e explica: “Estou interpretando uma bailarina no meu próximo filme, então o primeiro passo é não beber álcool a cada refeição do dia. Obviamente ainda estou bebendo todos os dias”, acrescenta ela, da mesma maneira envolvente que os Estados Unidos passaram a amar.

Enquanto a maioria dos millennials estão navegando em dívida estudantil e primeiro emprego, Jennifer completou 26 anos em agosto e não apenas conseguiu ter o sonho de Hollywood como também reinventou uma trajetória de carreira sem precedentes. Nos últimos cinco anos, ela ganhou um Oscar (em 2013, por O Lado Bom da Vida), ganhou outras três indicações (Inverno da Alma, Trapaça e Joy: O Nome do Sucesso), ganhou três Globos de Ouro, foi super-heroína na série X-Men, com bilheteria de US$ 4 bilhões e foi protagonista da franquia Jogos Vorazes, com bilheteria de quase US$ 3 bilhões. Em seu próximo filme, Passageiros, romance de ficção científica da Sony que estreia em dezembro nos EUA, Jennifer se juntou a Julia Roberts em uma elite de atrizes que faturou US$ 20 milhões de salário num filme. Enquanto Julia Roberts alcançou esse pico aos 32 anos, Jennifer já fez isso, apenas seis anos após sair do anonimato. (Para fazer mais uma comparação, Passageiros já é o 20º filme de Jennifer, enquanto Meryl Streep não fez nenhum filme até completar 28 anos)

Agora que suas franquias chegaram ao fim, Jennifer tem alinhado uma série de papéis para preencher o próximo capítulo de sua carreira. A bailarina russa acima mencionada em Red Sparrow, dirigido por Francis Lawrence, da Jogos Vorazes, a fotógrafa de guerra Lynsey Addario em It’s What I Do, dirigido por Steven Spielberg, e Elizabeth Holmes em Bad Blood, sobre a controversa fundadora da empresa de tecnologia de saúde do Vale do Silício, Theranos, escrito e dirigido por Adam McKay. Ela também tem um papel em Mother, filme de terror de invasão de casa dirigido por Darren Aronofsky, que foi gravado no último verão em Montreal, no Canadá. “Eu não gosto de acordar sem nada para fazer ou ir dormir sem ter realizado nada”, diz Jennifer. “Isso realmente me deprime”.

Ela teve seu grande papel de destaque aos 9 anos, quando interpretou uma prostituta de Nineveh em uma peça da igreja em Louisville, Kentucky. Jennifer foi tão inesperadamente convincente (“balançando seu espólio e pavoneando suas coisas”, disse sua mãe) que os amigos da família falaram aos seus pais: “Nós não sabemos se devemos parabenizá-los ou não, porque sua filha é uma ótima prostituta”. Cinco anos mais tarde, ela foi descoberta por uma agência de modelos e estava tão ansiosa para embarcar em sua carreira que ela abandonou o ensino médio e se mudou para Nova York.

Tendo faturado US$ 46 milhões no ano passado – fazendo dela a atriz mais bem paga dois anos seguidos -, Jennifer está muito longe da fazenda de cavalos onde foi criada por sua mãe (dona de um acampamento para crianças) e pai (proprietário de uma empresa contratante), juntamente com dois irmãos mais velhos. Ela ainda é uma pessoas de vinte e poucos anos típica em alguns aspectos, mas com algumas advertências extraordinárias. Ela está obcecada por Lemonade, de Beyoncé, por exemplo, mas recebe mensagens de texto que referenciam a letra “Becky do cabelo bom” (“Becky with the good hair”, da música “Sorry”) de David O. Russell, seu diretor de três filmes (O Lado Bom da Vida, Trapaça e Joy: O Nome do Sucesso). “Eu mencionei o álbum e ele simplesmente quis que eu soubesse que ele escutou e se importou”.

Ela também conheceu a própria Beyoncé e disse que, pessoalmente, a cantora “parece que foi enviada diretamente do céu”. Ela assiste Real Housewives, mas envia mensagens de texto para o produtor executivo Andy Cohen com suas opiniões sobre o programa. (Ela pega o telefone de sua bolsa preta para recitar sua última mensagem para Andy: “Por favor, coloque isso em Real Housewives de O.C: Shannon, sua sogra é uma bastarda imunda e você está completamente certa Meghan. Você tem que parar de se desculpar – essas mulheres são melhores em discutir do que você. Sinceramente, Jennifer, ponto final”). Ela é ocasionalmente atingida pela insegurança, e diz que o Paris Fashion Week “é o momento mais intimidador para se ter na vida. Você fica pronta em seu hotel e pensa tipo, ‘Estou incrível’. Então você sai, vê as outras roupas e as pessoas têm 2 metros de altura, e você fica tipo, ‘Eu sou um pedaço de lixo. Eu não vou mais sair'”. Mas, depois de trabalhar com a Dior desde 2012, ela consegue superar isso.

Ela adora ícones comuns de atualidade, mas, cada vez mais, eles se aproximam dela, como Paul McCartney que elogiou sua dança da música “Live and Let Die” em Trapaça. “Eu acho que não respondi ele”, diz Jennifer. “Eu simplesmente deixei minha mandíbula cair e chorei”.

Para Jennifer, as progressivas justaposições – entre a pessoa real e as circunstâncias irrealistas – são suavizadas pelo fato de que ela fez bons amigos nesta indústria, como Emma Stone, que compreende as pressões intrinsecamente bizarras de Hollywood. Lawrence e Stone se conheceram por intermédio do ator Woody Harrelson, que trabalhou com Jennifer em Jogos Vorazes e com Emma em Zumbilândia e previu que as duas se dariam bem. “Ela me mandou uma mensagem de texto falando que pegou meu número com Woody”, contou Jennifer. “Eu respondi, ‘Foda-se’ e nós temos sido muito boas amigas desde então”. As duas enviaram mensagens uma pra todos os dias um ano após isso. “Eu sinto que essa é a nossa versão de Diário de Uma Paixão, 365 mensagens”. A amizade entre as duas atrizes com dois anos de diferença de idade, que presumivelmente disputam papéis semelhantes no cinema, transcende os feios estereótipos de uma indústria infame por colocar mulheres uma contra as outras. “Eu amo o meu trabalho”, diz Jennifer. “Eu não sei o que eu seria sem atuar. Portanto se alguém ama essa mesma coisa, isso deve nos aproximar. Mas depende de como essa pessoa é e Emma é muito normal e adorável”. No último outubro, enquanto foi apoiar Emma numa exibição de La La Land, Jennifer disse: “Se eu não fosse a maior fã dela, ia chutar os seus joelhos”.

“Ela pode nem mesmo saber disso”, escreveu Emma Stone para mim em email, “mas com certeza houve um momento no início que eu fiquei tipo OH HEY MEU EGO VAI FICAR LOUCO ELA É TÃO ÓTIMA E VIBRANTE E TALENTOSA EU ESTOU FERRADA EU NUNCA MAIS VOU TRABALHAR DE NOVO ADEUS ESTRADA DOS TIJOLOS AMARELOS’. E então eu me acalmei – e lembrei que nós somos completamente diferentes e há espaço para todas, mesmo se é uma indústria que realmente não parece apoiar essa ideia”. Emma continuou: Nós duas realmente nos amamos e nos preocupamos uma com a outra como pessoas, além de como atrizes. Eu a apóio completamente quando o assunto é trabalho e eu sinto que ela é da mesma forma, mas eu sei que a gente seria amigas mesmo que não tivéssemos o mesmo trabalho”.

Jennifer também é leal aos seus amigos que não fazem parte da indústria e arranja tempo para comemorar seus marcos pessoais. “Todas as minhas amigas estão se casando e tendo bebês”, contou, revelando um papel que ela nunca mais vai repetir. “Casamentos são ótimos, mas eu nunca mais vou ser madrinha de casamento de novo. Deve haver uma união de madrinhas de casamento. É horrível. Se alguém me perguntar novamente, eu vou dizer, ‘Não. Essa parte da minha vida acabou. Agradeço a pergunta’. Se um dia eu me casar, acho que não terei madrinhas de casamento. Como poderia fazer um ranking das minhas amigas?”

Não que ela tivesse tempo de planejar um casamento se isso estivesse em seu radar. Jennifer, cujo relacionamento mais longo foi com o ator Nicholas Hoult, atualmente parece mais focada em colaborações profissionais do que românticas. Quanto às crianças, o foco materno dela atualmente é sua cachorrinha pequena marrom, Pippi Longstocking. No Natal passado, a mãe de Jennifer encomendou um retrato de Pippi de um fã de 14 anos de Jennifer na Nova Zelândia. No começo, a atriz pendurava o retrato em sua casa em Los Angeles apenas quando sua mãe a visitava. Até que percebeu: “Foda-se. Eu sou a pessoa que tem uma pintura acrílica de seu cão”, e o expôs orgulhosamente em cima de sua lareira. “Eu sou uma mãe psicótica de uma cachorra de uma maneira que eu realmente me envergonho. Se eu pudesse colocá-la dentro de mim e dar à luz a ela eu faria”. Por causa disso, Jennifer brinca que ter filhos reais “seria perigoso. Meus filhos seriam incrivelmente ciumentos porque eu ainda estaria muito mais atenta a Pippi do que a eles”.

Estes dias, Pippi e Jennifer estão constantemente em movimento – recentemente viajando juntas para Montreal para filmar o filme de Aronofsky com Michelle Pfeiffer, Ed Harris e Javier Bardem. Jennifer estava querendo trabalhar com o diretor de Cisne Negro, então quando ele lançou o projeto, ainda sem um roteiro, ela imediatamente aceitou. (“Ele é um visionário”, diz ela.) Foi em Montreal que ela distraidamente alimentou Pippi com costela, o que exigiu uma corrida de emergência ao veterinário.

Neste outono, Jennifer viajou para a África com a fotojornalista Lynsey Addario enquanto ela documentava refugiados sul-sudaneses cruzando Uganda. Embora a experiência tenha a oferecido um raro véu de anonimato (ao se apresentar a um trabalhador da ONU como Jennifer, ele respondeu: “Ahhh, como Jennifer Lopez“), ela ficou assombrada com sua inutilidade. “O pior sentimento de estar lá era o de que eu não estava ajudando ninguém”, diz ela sobre a crise humanitária. “Eu estava lá fazendo estudo de personagem”. (Jennifer também é produtora em It’s What I Do, filme de Spielberg baseado nas memórias de Addario. Lawrence, que doou generosamente a várias instituições de caridade (incluindo US$ 2 milhões para um hospital infantil em sua cidade natal este ano), disse que encontrou consolo ao prometer visitar o local de novo com um papel mais ativo.

E Pippi também acompanhou Jennifer em Atlanta, Georgia, para Passageiros, projeto de grande orçamento que ela tentou, no início, resistir. “Meu plano era fazer mais alguns anos de filmes indies e lembrar para as pessoas e para mim como eu comecei”, diz Jennifer, se referindo a Inverno da Alma, seu papel-revelação em 2010 que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar, aos 19 anos. Então ela leu o roteiro de Jon Spaihts. “Eu queria dizer não, mas ficava voltando para ele”.

O filme dirigido indicado ao Oscar Morten Tyldum (O Jogo da Imitação), com orçamento de US$ 150 milhões, é protagonizado por Jennifer e Chris Pratt. Eles são uma jornalista e um engenheiro que deixam sua vida na Terra para viajar para uma colônia distante. Por causa de um mau funcionamento mecânico, ambos os personagens acordam cerca de 30 anos após o início de uma viagem que deveria durar 120 anos e lutam para sobreviver enquanto viajam pelo espaço. Os dois dizeram várias cenas de amor que têm faíscas – uma eletricidade na tela que surgiu facilmente, já que, de acordo com Jennifer, Chris Pratt “poderia ter química com um cacto”. Jennifer se deu bem com a esposa de Pratt, Anna Faris, aparecendo em seu podcast Unqualified e formando uma “amizade spin-off” com ela. “Acho que as mulheres conseguem sentir se você é o tipo de mulher que vai fugir com o marido dela”, explico. “Eu não passo essa vibe. Eu passo a vibe de ‘Por favor, goste de mim!’ desesperada. O que não é ameaçador”.

Quanto a Pratt, ela diz: “Ele é um raio de sol. Tivemos que ter uma conversa sobre o seu bom humor às quatro da manhã, quando ele estava encorajando toda a equipe do filme como o Grinch. Eu cheguei no set dizendo tipo, ‘Chega de sorrisos. Chega de danças'”. Chris Pratt riu quando o relembrei desse acontecimento. “Jen é realmente sintonizada com suas emoções”, ele me contou. “Se ela está com raiva, ela vai deixar você saber. Ela é muito clara em sua comunicação. Eu achei isso surpreendentemente refrescante. É bom trabalhar com alguém e saber exatamente como eles estão. Ela é uma chefe. É muito incrível”.

Jennifer nem sempre foi tão assertiva. No ano passado, quando os emails da Sony vazaram e ela viu a diferença salarial entre o elenco de Trapaça, ela assumiu a responsabilidade por não perceber o seu valor e negociar por isso. “Eu estou farta de tentar achar a maneira ‘adorável’ de afirmar minha opinião e ainda ser simpática! Foda-se isso”, ela escreveu na carta aberta em Lenny, newsletter criada por Lena Dunham. Embora Jennifer tenha sido a primeira a admitir que seus problemas particulares como trabalhadora “não são exatamente relacionáveis”, seus sentimentos – sobre estar preocupada que os outros gostem dela em vez de lutar por si mesma – são relacionáveis e a carta aberta se tornou viral.

“Eu sinto que algo realmente se ligou quando eu tinha 25 anos”, reflete. “Não é tão assustador dizer o que você realmente quer dizer. Lembra de como costumava ser assustador? Tipo ‘E se eles acharem que estou com raiva deles?’ Agora eu penso ‘É bom que eles pensem que estou com raiva!'” Depois de um quarto de século preocupada com o modo como os outros a percebem, Jennifer começou a se colocar, como pode ser comprovado com seu salário em Passageiros e sua confiança no set. Na primeira etapa de sua carreira, a heroína Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes, foi uma inspiração para mulheres jovens. Agora ela não precisa mais de uma personagem para empoderar o público.

Embora ela tenha recebido conselhos de alguns de seus predecessores vencedores do Oscar, como Shirley MacLaine e Jodie Foster, Jennifer tem idade de ser uma atriz inegavelmente na nova fronteira de Hollywood – marcado pela venda de ingressos em declínio, expansão de canais de distribuição, paparazzi onipresentes, e fãs perseguindo seus ídolos nas ruas e nas redes sociais em uma caça implacável para alimentar um interminável apetite na internet. Apesar dessas pressões, Jennifer saltou graciosamente de alguém engenhosamente ingênua para uma estrela sem sucumbir aos demônios que atraem até mesmo as pessoas não-celebridades de sua idade.

Sua maior luta foi com a privacidade. E enquanto ela se ajusta a suas hordas de fãs, ela oferece a eles uma gentil cautela. “Você pode pensar que me conhece, mas quando você se aproxima de mim você é um estranho para mim e eu estou com medo”. Ela suspira. “Eu fico muito protetora com meu espaço. Levei muito tempo para ser capaz de fazer isso. Mas se eu estou comendo meu jantar e alguém aparece e um flash sai de sua câmera do iPhone, eu sou muito rude com essa pessoa. Em seguida, outras pessoas do restaurante vão ver e ficar tipo, ‘Oh, droga, eu não quero fazer isso’. A privacidade é um trabalho em tempo integral e eu trabalho muito duro nisso”.

Como parte desta missão, Jennifer não faz comentários sobre sua vida amorosa desde Nicholas Hoult. Ela não confirma nem nega o relacionamento que teve com Chris Martin, do Coldplay, no verão de 2015. Mais recentemente os sites de fofoca a ligaram a Darren Aronofsky. Mas não espere que Jennifer vá confirmar o rumor. Numa era de muito compartilhamento e exposição, ela é uma reminiscência em que ela se aperfeiçoou na arte antiga da discrição pessoal – um feito tremendo, considerando sua idade e posição como uma das figuras mais públicas do mundo. Claro, ela vai oferecer aos fãs detalhes pessoais deliciosos (como sua confissão de ter uma queda por Larry David), mas apenas em seus termos.

Ajuda que, numa cultura medida por cliques e curtidas, amigos e seguidores, ela continua fora das redes sociais. Sua única presença na internet é a página obrigatória no Facebook. Apesar de seus esforços, ela ainda é alvo da cultura pop e de fofocas. Ela não lê os rumores (“eu tento viver num bonito e pequeno casulo imaginário”), mas seus parentes leem e compram cada tabloide com o resto do país. “Meu irmão me perguntou dia desses, ‘Todo mundo na internet acha que você e Amy Schumer não são mais amigas'”, diz ela, irritada. “E eu disse: ‘Oh, realmente, porque tudo na internet é sempre verdade'”. (Para registrar: ela e Amy ainda são amigas e planejam estrelar, assim que seus horários permitirem, um filme de comédia como irmãs que escreveram o roteiro juntas). Seus interesses na internet são mais médicos do que por estrelas de cinema, e ela tendo a cair nos buracos de coelhos do Google procurando por “bactérias de aparência engraçada”. (“Tenho certeza que você faz isso o tempo inteiro”, diz). Jennifer fala que o primeiro livro que ela leu foi How My Body Works, e ela pediu livros de autópsia em seu último aniversário. Apesar de sua curiosidade ao longo da vida, ela diz que sempre foi “muito emotiva” para realmente considerar medicina como uma carreira. Mas não parece coincidência que ela encontrou outra maneira de estudar os seres humanos: interpretando-os na tela.

Mas não é apenas a sua curiosidade e carisma tão raro que a torna uma estrela de Hollywood rara, capaz de atrair audiências em massa e ter reconhecimento crítico. Francis Lawrence, que a dirigiu durante a maior parte da franquia Jogos Vorazes (e não é parente de Jennifer), tem sua própria teoria sobre o poder da atriz. “Jen é a pessoa mais em sintonia que eu já conheci”, disse ele. “É estranho, mas o presente dela é que ela consegue ler as pessoas muito rápido e usar isso na tela. Eu odiaria namorar com ela porque você nunca seria capaz de se safar de nada”.

“Ela tem uma clareza inacreditável”, ecoou Emma Stone. “Ela pode testemunhar uma situação ou conhecer uma pessoa e ver através de tudo quase que instantaneamente. É impressionante”.

Quando mostro este elogio a Jennifer, ela acena. Ela tem uma maneira diferente de descrever sua profundidade de percepção. “Eu sou uma boa detectora de mentiras”, diz ela, colocando as mãos na tigela de pipoca que está entre nós. Um garçom instantaneamente aparece e some sem explicação. “Desde que eu era criança, eu sempre estava acabando com essas merdas”, ela diz, com um olho ainda no garçom, que retorna com uma nova tigela de pipoca e desaparece novamente. “Vê, eles estavam totalmente cientes de que eu estava faminta”, diz ela. E enfia a mão na tigela. “Eu sabia!”

Embora pareça que Jennifer já conquistou Hollywood, a vencedora do Oscar tem uma ambição fora da tela que ela mantém guardada em si. “O bichinho da direção me picou dois anos depois que eu comecei a atuar”, ela admite. “Mas, da mesma maneira intensa, não tive a oportunidade de melhorar isso porque ainda não tive tempo de fazê-lo”. Para se preparar, ela estudou cada cineasta com quem trabalhou, de Russell a Aronofsky, cuidadosamente compilando notas. Hollywood tem muitos atores dispostos a trabalharem atrás da câmera. O que torna Jennifer um tanto singular neste cenário é que ela hesita em discutir essa aspiração.

Essa é a coisa sobre Jennifer: ela pode ser a conversadora mais encantadoramente despretensiosa de Hollywood. Mas, no final das contas, ela não está satisfeita em simplesmente debater. Como mostra o seu currículo, esta jovem de 26 anos prefere entrar em ação. E com seu futuro próximo todo cheio de projetos, e sua recém-descoberta confiança no lugar, nós provavelmente não saberemos nada sobre o próximo capítulo de Jennifer até que ela mesma vire a página. “Eu preferia fazer isso”, diz ela, sorrindo e jogando a última das pipocas em sua boca.

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